segunda-feira, 26 de setembro de 2011

novo cronograma de sexta-feira

SETEMBRO
30 - Discussão do texto O mal-estar melhorou? A pertinência do livro hoje, de Nina Saroldi (127 a 157).

OUTUBRO
07 – Com Cíntia - Discussão dos textos Lei, culpa e confissão (p. 65 a 70) e Desconstrução da filosofia do sujeito (79 a 90), de Joel Birman
14 – Discussão do texto A cultura de si, de Foucault (p. 43 a 74).
21 - Discussão do texto Subjetividade: a (des) construção de um conceito, de Luciana Miranda.
28 - Com Cíntia - Discussão do texto Entrevista sobre O anti-édipo, com Deleuze e Guattari (p. 23 a 36).

NOVEMBRO
4 - Discussão do texto Psicanálise e familiarismo: a sagrada família, de Deleuze e Guatarri (p. 53 a 78).
11 – Orientação dos trabalhos (atividade não será realizada em sala de aula em função do ACTA)
18 – Entrega e apresentação dos trabalhos
25 - Entrega e apresentação dos trabalhos

DEZEMBRO
2 – Entrega das notas e avaliação do semestre

Ainda sobre as religiões - texto de hoje na Folha


São Paulo, segunda-feira, 26 de setembro de 2011 
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LUIZ FELIPE PONDÉ

Religião sustentável


No Oriente, o budismo é uma religião como qualquer outra, cheia de vícios e abusos

Recebemos, recentemente, a visita do líder religioso budista tibetano Dalai Lama. Os iniciados tiveram surtos místicos?
Nada contra ele. De fato, o líder budista tem uma imagem positiva no Ocidente, ao contrário do papa Bento 16, que é visto como conservador.
O Dalai Lama defende tudo que gente legal defende: o verde, a tolerância com o "outro", um capitalismo do bem, enfim, uma religião sustentável nos termos que ocidentais que migram pra religiões orientais costumam gostar, ou seja, de baixo comprometimento religioso. Além de, nela, não ter nenhum parente chato.
Uma religião sustentável é uma religião na qual ninguém tem de sustentar nada além de uma dieta balanceada, uma bike legal e um pouco de meditação durante a semana. De empresários "do bem" aos falantes da língua tibetana, muita gente correu pra ouvir essa sabedoria "estrangeira".
Religiões são sistemas de sentido. A vida, aparentemente sem muito sentido, precisa de tais sistemas. A profissão pode ser um. A dedicação aos filhos, outro. A história, a natureza, grana também serve. Enfim, muita coisa pode dar sentido a uma existência precária como a nossa, mas nada se compara a uma religião.
Para funcionar, as religiões têm de garantir crenças e constranger comportamentos a partir de liturgias, mitos, exercícios de poder sacerdotais e regras cotidianas munidas de "sentido cósmico".
Você não "acessa" o sentido oferecido sem "pagar", com a própria adesão, o pacote completo. Isso serve para o catolicismo e para o budismo, ao contrário do que pensa nossa vã filosofia "nova era". No Oriente, o budismo é uma religião como qualquer outra, cheia de vícios e abusos.
A crítica à religião no Ocidente passou pela mão de grandes pensadores. Freud disse que religiosos são obsessivos que não sobreviveram bem à falta de amor incondicional da mãe e à miserável castração do pai verdadeiro, daí creem num Deus todo-poderoso que os ama.
Nietzsche identificou o ressentimento como marca dos religiosos que são todos uns covardes. Feuerbach sacou que Jesus é a projeção alienante de nosso próprio potencial.
Marx acrescentou que essa alienação é concreta e que se ganha dinheiro com isso. Enfim: o religioso é um retardado, ressentido, alienado e pobre, porque gasta dinheiro com o que não deve, a saber, os "profissionais de Deus".
O que eu acho hilário é como muito "inteligentinho" acha que o budismo seja uma religião diferente das "nossas".
Ela seria sem "vícios" e "imposições". Pensam, em sua visão infantil das religiões orientais, que dramas sexuais só afetam celibatários de Jesus e não os de Buda, e que o budismo, por exemplo, é "legal", porque não tem a noção de pecado.
O budismo ocidental que cultua o Dalai Lama é o que eu chamo de budismo light. O perfil desse budista light é basicamente o seguinte.
Vem de classe social elevada, fala línguas estrangeiras, é cosmopolita, se acha melhor do que os outros (apesar de mentir que não se acha melhor, claro), tem formação superior, mora na zona oeste ou na zona de sul de São Paulo, come alimentos orgânicos (caríssimos) e é altamente orientado para assuntos de saúde do corpo (um ganancioso com a vida, claro).
E, acima de tudo, acha sua religião de origem (judaísmo ou catolicismo, grosso modo) "medieval", dominada pelo interesse econômico, e sempre muito autoritária.
Na realidade, as causas da migração para o budismo light costumam ser um avô judeu opressivo, uma freira chata e feia na escola e uma revolta básica contra os pais.
Em extremos, a recusa em arrumar o quarto quando adolescente ou um escândalo de pedofilia na Igreja Católica. Além da preguiça de frequentar cultos e de ter obrigações religiosas.
Enfim, essas são a bases reais mais comuns da adesão ao budismo light, claro, associadas à dificuldade de ser simplesmente ateu.
A busca por uma espiritualidade light é como a busca por uma marca de jeans, uma pousadinha numa praia deserta no Nordeste ou um restaurante de comida étnica da moda.
A espiritualidade do budismo light é semelhante a uma Louis Vuitton falsa. Brega.ponde.folha@uol.com.br

sábado, 24 de setembro de 2011

Desculpas

Alunos e alunas de sexta-feira

Giba, que deveria me substituir na última sexta-feira, penso que a aula era no turno noturno. Peço desculpas pelo transtorno. Na próxima aula, ajustaremos nosso cronograma e discutiremos o texto que deveria ter sido discutido na sexta passada, ok?

abrs

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

a vida como ela é...na folha e demais jornais de hoje


São Paulo, quarta-feira, 21 de setembro de 2011 
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Homem forja assassinato com ketchup

Segundo polícia, ex-presidiário recebeu R$ 1.000 para cometer crime, mas simulou esfaqueamento para ficar com dinheiro

Farsa foi descoberta quando contratado e suposta vítima foram vistos se beijando em feira, afirma delegado

DE SÃO PAULO

Um suposto roubo levou a polícia a descobrir um caso de assassinato forjado em Pindobaçu (BA). Segundo a Polícia Civil, o homem que havia sido contratado para o crime desistiu do assassinato, cobriu com ketchup o corpo da mulher que seria sua vítima e ficou com os R$ 1.000 pagos pelo serviço.
Segundo a Polícia Civil, Maria Nilza Pereira Simões procurou a delegacia no dia 24 de junho e afirmou que Carlos Roberto Alves de Jesus havia roubado R$ 1.000 dela.
Porém, ao investigar o caso, a polícia descobriu que o homem foi contratado pela própria Maria Nilza para assassinar a suposta amante de seu marido, Erenildes Aguiar Araujo, conhecida como Lupita.
O rapaz, que é ex-presidiário, desistiu do crime ao descobrir que a mulher era sua amiga. Entretanto, para não perder o dinheiro, forjou o assassinato.
O delegado Marconi Almino de Lima afirma que o homem pintou o corpo de Lupita com ketchup e colocou uma faca em sua axila para simular um esfaqueamento. Na sequência, tirou fotografias com seu celular para comprovar o crime.
De acordo com Lima, a farsa foi descoberta "quando o homem e a suposta vítima foram flagrados aos beijos e abraços" em uma feira. Os três envolvidos no caso respondem em liberdade a processos na Justiça.
Maria Nilza é acusada de ser a mandante do crime. Carlos Roberto Alves de Jesus é acusado de extorsão e a mulher que seria assassinada é suspeita de coparticipação.
Ainda segundo o delegado, o caso só foi divulgado agora porque Erenildes decidiu contar sua história ao repórter de uma rádio local. 

Navarro

Oi, para quem não conhece, eis uma entrevista com Navarro, autor do filme que vimos na última sexta e veremos na noite desta quarta-feira: http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2001/not20011004p2623.htm.

abrs

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

uma dica, hoje na folha


São Paulo, quinta-feira, 15 de setembro de 2011 
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CONTARDO CALLIGARIS 

De 11 a 15 de setembro de 2001


O terrorista é atormentado pela tentação de ser "convertido" pelo Ocidente e, por isso, já nasce derrotado


Em 2001, eu morava em Nova York, mas, na manhã de 11 de setembro, estava em São Paulo, atendendo no consultório. Alguém me telefonou dos Estados Unidos: "Ligue a CNN". Passei o dia diante da televisão. Só levantava para me desculpar com os pacientes por não poder atendê-los naquele dia.
Um amigo chegou depois da queda das torres e perguntou: "Você conhecia alguém que estava lá?". Ele me lembrou que eu respondi: "Todos, conhecia todos".
E era verdade: o engraxate, o garçom, o gestor de fundos da Cantor Fitzgerald, o bombeiro, o policial, o advogado, o segurança, a secretária, de todas as nações, fés e classes -eu era capaz de empatia com os sonhos de cada um deles: o imigrante sem documentos querendo "fazer a América"; o "senior partner" esperando pela aposentadoria; o jovem louco para fazer seu primeiro milhão; o outro que já o tinha feito e se perguntava se, casando, ele se mudaria para Westchester ou para Brooklyn Heights; o homem já maduro que acabava de decidir que, no dia de Ação de Graças, levaria o namorado para a casa dos pais, para explicar, enfim, que era homossexual e estava cansado de mentir.
Eles eram minha turma, eu era um deles, justamente pelas razões que os juntaram nas torres do World Trade Center: os anseios básicos da mente ocidental (o sonho de merecer a admiração ou, mais mesquinhamente, a inveja dos outros, a vontade sempre frustrada de não renunciar a suas paixões, a ambição, também frustrada, de escutar só seu nariz e seu foro íntimo).
Sentia culpa por não ter estado em Nova York, com eles, na hora do ataque. Pensava nas palavras de meu pai, quando, na Itália dos anos 70, ele tinha me acompanhado numa manifestação que talvez fosse alvo dos terroristas de direita. Ele tinha dito: "Não vamos deixar que eles influenciem nossa vida simplesmente porque acham que podem decidir o dia de nossa morte".
Se me lembro direito, embarquei no voo para o qual eu já tinha reserva, o AA 950 de sexta-feira, 14 de setembro, que foi o primeiro a sair de São Paulo depois do ataque. Houve aplausos na chegada, para agradecer à tripulação (a dos voos abatidos e a do nosso); lembro-me de que a tripulação nos aplaudiu de volta.
Em Nova York, desci a pé ao sul da Canal Street. Foi o começo de um velório coletivo que durou meses: noites passadas com desconhecidos, sobre a passarela da Chambers Street, olhando em direção ao marco zero e vendo os caminhões que, noite adentro, esvaziavam os escombros, subindo pela West Street.
Pouco tempo depois do ataque, George Bush encorajou todo o mundo a fazer compras, "para sustentar a economia da cidade" -ridículo, mas era também um jeito de declarar que o atentado não alteraria nossa maneira de viver. A melhor resposta ao terror é não deixar que o medo nos modifique. Por isso protestei contra o uso da tortura e contra a prisão em Guantánamo -não por razões humanitárias, mas para não ser transformado pelo terror.
Na segunda-feira seguinte, fui para Boston, de onde escrevi a coluna de 20 de setembro de 2001 ("De Onde Vêm os Terroristas"), na qual expressava ideias que se tornariam óbvias só bem mais tarde.
"Os terroristas que atacaram o World Trade Center e o Pentágono viveram tempos longos no Ocidente. Frequentaram universidades e escolas de pilotagem. Não eram pastores descidos das montanhas. Os comentaristas estranham: 'Como é possível? Moraram entre nós durante tanto tempo e puderam fazer isso? Ou seja, será que nossa sedução não funcionou?'. Justamente: ela funcionou demais. A ponto de eles terem decidido destruir o objeto de seus desejos. A interpretação política de seus atos será sempre insuficiente: as Torres Gêmeas, para eles, eram símbolos não tanto de poder quanto de tentação.
Sua 'guerra santa' foi isso: mataram os infiéis nos quais receavam (e desejavam) se transformar. E mataram a si mesmos para nunca mais serem seduzidos."
O terrorista é atormentado por uma tremenda tentação de ser "convertido" pelo Ocidente. Por isso o terrorismo nasce derrotado -por ser filho de uma inveja que só existe em quem já se vendeu ao suposto inimigo.
Em suma, os terroristas de hoje nos matam por raiva de quererem ser como a gente: traíram sua cultura e estão em busca de redenção.
Nota: o livro de A. Appadurai, que citei na semana passada, existe em português, "A Vida Social das Coisas" (Eduff).

ccalligari@uol.com.br
@ccalligaris

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

aviso urgente

oi pessoas

aula normal no ihac na noite de hoje. os vigilantes voltaram ao trabalho

até daqui a pouco

abrs