quinta-feira, 15 de setembro de 2011

uma dica, hoje na folha


São Paulo, quinta-feira, 15 de setembro de 2011 
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CONTARDO CALLIGARIS 

De 11 a 15 de setembro de 2001


O terrorista é atormentado pela tentação de ser "convertido" pelo Ocidente e, por isso, já nasce derrotado


Em 2001, eu morava em Nova York, mas, na manhã de 11 de setembro, estava em São Paulo, atendendo no consultório. Alguém me telefonou dos Estados Unidos: "Ligue a CNN". Passei o dia diante da televisão. Só levantava para me desculpar com os pacientes por não poder atendê-los naquele dia.
Um amigo chegou depois da queda das torres e perguntou: "Você conhecia alguém que estava lá?". Ele me lembrou que eu respondi: "Todos, conhecia todos".
E era verdade: o engraxate, o garçom, o gestor de fundos da Cantor Fitzgerald, o bombeiro, o policial, o advogado, o segurança, a secretária, de todas as nações, fés e classes -eu era capaz de empatia com os sonhos de cada um deles: o imigrante sem documentos querendo "fazer a América"; o "senior partner" esperando pela aposentadoria; o jovem louco para fazer seu primeiro milhão; o outro que já o tinha feito e se perguntava se, casando, ele se mudaria para Westchester ou para Brooklyn Heights; o homem já maduro que acabava de decidir que, no dia de Ação de Graças, levaria o namorado para a casa dos pais, para explicar, enfim, que era homossexual e estava cansado de mentir.
Eles eram minha turma, eu era um deles, justamente pelas razões que os juntaram nas torres do World Trade Center: os anseios básicos da mente ocidental (o sonho de merecer a admiração ou, mais mesquinhamente, a inveja dos outros, a vontade sempre frustrada de não renunciar a suas paixões, a ambição, também frustrada, de escutar só seu nariz e seu foro íntimo).
Sentia culpa por não ter estado em Nova York, com eles, na hora do ataque. Pensava nas palavras de meu pai, quando, na Itália dos anos 70, ele tinha me acompanhado numa manifestação que talvez fosse alvo dos terroristas de direita. Ele tinha dito: "Não vamos deixar que eles influenciem nossa vida simplesmente porque acham que podem decidir o dia de nossa morte".
Se me lembro direito, embarquei no voo para o qual eu já tinha reserva, o AA 950 de sexta-feira, 14 de setembro, que foi o primeiro a sair de São Paulo depois do ataque. Houve aplausos na chegada, para agradecer à tripulação (a dos voos abatidos e a do nosso); lembro-me de que a tripulação nos aplaudiu de volta.
Em Nova York, desci a pé ao sul da Canal Street. Foi o começo de um velório coletivo que durou meses: noites passadas com desconhecidos, sobre a passarela da Chambers Street, olhando em direção ao marco zero e vendo os caminhões que, noite adentro, esvaziavam os escombros, subindo pela West Street.
Pouco tempo depois do ataque, George Bush encorajou todo o mundo a fazer compras, "para sustentar a economia da cidade" -ridículo, mas era também um jeito de declarar que o atentado não alteraria nossa maneira de viver. A melhor resposta ao terror é não deixar que o medo nos modifique. Por isso protestei contra o uso da tortura e contra a prisão em Guantánamo -não por razões humanitárias, mas para não ser transformado pelo terror.
Na segunda-feira seguinte, fui para Boston, de onde escrevi a coluna de 20 de setembro de 2001 ("De Onde Vêm os Terroristas"), na qual expressava ideias que se tornariam óbvias só bem mais tarde.
"Os terroristas que atacaram o World Trade Center e o Pentágono viveram tempos longos no Ocidente. Frequentaram universidades e escolas de pilotagem. Não eram pastores descidos das montanhas. Os comentaristas estranham: 'Como é possível? Moraram entre nós durante tanto tempo e puderam fazer isso? Ou seja, será que nossa sedução não funcionou?'. Justamente: ela funcionou demais. A ponto de eles terem decidido destruir o objeto de seus desejos. A interpretação política de seus atos será sempre insuficiente: as Torres Gêmeas, para eles, eram símbolos não tanto de poder quanto de tentação.
Sua 'guerra santa' foi isso: mataram os infiéis nos quais receavam (e desejavam) se transformar. E mataram a si mesmos para nunca mais serem seduzidos."
O terrorista é atormentado por uma tremenda tentação de ser "convertido" pelo Ocidente. Por isso o terrorismo nasce derrotado -por ser filho de uma inveja que só existe em quem já se vendeu ao suposto inimigo.
Em suma, os terroristas de hoje nos matam por raiva de quererem ser como a gente: traíram sua cultura e estão em busca de redenção.
Nota: o livro de A. Appadurai, que citei na semana passada, existe em português, "A Vida Social das Coisas" (Eduff).

ccalligari@uol.com.br
@ccalligaris

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

aviso urgente

oi pessoas

aula normal no ihac na noite de hoje. os vigilantes voltaram ao trabalho

até daqui a pouco

abrs

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Novos textos escaneados no nosso mail

Olá pessoas

acabei de enviar mais textos de leitura obrigatória para nosso mail.

a pasta, para quem desejar fazer cópias, está na xerox da faculdade de comunicação (facom)

boa leitura

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Primeiro vídeo

Oi pessoas

quem não esteve em nossa aula, pode assistir ao vídeo do Joel Birman no site http://www.cpflcultura.com.br/site/2009/12/01/integra-novas-subjetivacoes-e-o-mal-estar-na-contemporaneidade-joel-birman/

existem vários outros vídeos muito interessantes nesse site do cpfl cultura

aproveitem

leandro

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Nosso mail e primeiro texto

Olá pessoas

criei o nosso mail:

login: subjetividades2011@gmail.com
senha: subjetividades

o primeiro texto de Freud que iremos discutir já está lá

terça-feira, 23 de agosto de 2011

cronograma das aulas de 2011.2


CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DE ESTUDOS DA SUBJETIVIDADE
TURMA QUARTA-FEIRA

AGOSTO
17 - apresentação do componente e exibição da palestra de Joel Birman sobre novas formas de subjetivação no mundo contemporâneo.
24 - conceitos centrais dos estudos das subjetividades
31 – Cíntia e/ou Giba- Discussão do texto A dissolução do Complexo de Édipo, de Freud (p. 203 a 213).

SETEMBRO
7 – FERIADO
14 - Discussão dos capítulos I a IV do livro O mal-estar na cultura, de Freud
21 - Discussão dos capítulos V a VIII do livro O mal-estar na cultura, de Freud
28 - Discussão do texto O mal-estar melhorou? A pertinência do livro hoje, de Nina Saroldi (127 a 157).

OUTUBRO
5 – Cíntia e/ou Giba - Discussão dos textos Lei, culpa e confissão (p. 65 a 70) e Desconstrução da filosofia do sujeito (79 a 90), de Joel Birman.
12 – FERIADO
19 - Discussão do texto A cultura de si, de Foucault (p. 43 a 74).
26 – Cíntia e/ou Giba - Discussão do texto Subjetividade: a (des) construção de um conceito, de Luciana Miranda.

NOVEMBRO
2 – feriado
9 – Orientações dos trabalhos (atividade não será realizada em sala de aula em função do ACTA)
16 – Discussão do texto Entrevista sobre O anti-édipo, com Deleuze e Guattari (p. 23 a 36).
23 – Discussão do texto Psicanálise e familiarismo: a sagrada família, de Deleuze e Guatarri (p. 53 a 78).
30 – Entrega e apresentação dos trabalhos

DEZEMBRO
7 – Entrega das notas e avaliação do semestre


TURMA SEXTA-FEIRA

AGOSTO
19 – apresentação do componente e exibição da palestra de Joel Birman sobre novas formas de subjetivação no mundo contemporâneo
26 - conceitos centrais dos estudos das subjetividades

SETEMBRO
2 – Discussão do texto A dissolução do Complexo de Édipo, de Freud (p. 203 a 213).
9 – Discussão dos capítulos I a IV do livro O mal-estar na cultura, de Freud
16 – Discussão dos capítulos V a VIII do livro O mal-estar na cultura, de Freud
23 – Cíntia e/ou Giba - Discussão do texto O mal-estar melhorou? A pertinência do livro hoje, de Nina Saroldi (127 a 157).
30 – Discussão dos textos Lei, culpa e confissão (p. 65 a 70) e Desconstrução da filosofia do sujeito (79 a 90), de Joel Birman

OUTUBRO
7 – Discussão do texto A cultura de si, de Foucault (p. 43 a 74).
14 - Discussão do texto Subjetividade: a (des) construção de um conceito, de Luciana Miranda.
21 - Discussão do texto Entrevista sobre O anti-édipo, com Deleuze e Guattari (p. 23 a 36).
28 – Cíntia e/ou Giba – Orientação dos trabalhos

NOVEMBRO
4 - Discussão do texto Psicanálise e familiarismo: a sagrada família, de Deleuze e Guatarri (p. 53 a 78).
11 – Orientação dos trabalhos ((atividade não será realizada em sala de aula em função do ACTA)
18 – Entrega e apresentação dos trabalhos
25 - Entrega e apresentação dos trabalhos

DEZEMBRO
9 – Entrega das notas e avaliação do semestre


Formas de avaliação:
Primeira nota: entrega de roteiros de leitura no início da aula em que discutiremos os textos de leitura obrigatória. Aluno pode escolher sete dos nove textos. Cada roteiro vale até um ponto, o que somará 7 pontos. Ou demais 3 pontos poderão ser conquistados pela participação em sala (presença, debate, sugestões e análises de casos à luz das reflexões teóricas). O roteiro consiste em um texto de formato livre, de até duas laudas, que deve conter as cinco principais ideias defendidas pelo autor de cada texto.

Segunda nota: elaboração e execução de um projeto de pesquisa que trate sobre algum mal-estar da atualidade. A pesquisa precisa identificar e analisar o problema e pensar em como ele poderia ser solucionado, sempre à luz dos textos discutidos durante o semestre.  Projeto vale até 2 pontos e o texto com o resultado final da pesquisa vale até 8 pontos.

Programa de 2011.2


UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
INSTITUTO DE HUMANIDADES, ARTES E CIÊNCIAS PROFESSOR MILTON SANTOS - IHAC
PROGRAMA DO COMPONENTE CURRICULAR DE ESTUDOS DAS SUBJETIVIDADES – HACA77-  2011.2
PROFESSOR LEANDRO COLLING
Tirocínio docente orientado: Cíntia Guedes


Ementa: Conceitos de subjetividade. Subjetividade e identidade. Subjetividade e pensamento moderno. Subjetividade e intersubjetividade. Subjetividade e individualismo. Dispositivos de construção da subjetividade e da individualidade. Subjetividade moderna e processos de subjetivação no contemporâneo.

Objetivos gerais: Oferecer um panorama de alguns dos estudos sobre a subjetividade, em especial os que possuem interface com a cultura e a análise da sociedade contemporânea, com ênfase nas diversas manifestações do mal estar na atualidade. Estudar os processos de subjetivação e as relações de poder que permeiam a construção das subjetividades.

Objetivos específicos: oferecer ao aluno mais um referencial teórico para a análise da sociedade contemporânea, em especial para compreender o âmbito da cultura; introduzir os alunos nos estudos das subjetividades, destacando o potencial desses estudos para a compreensão dos problemas do mundo contemporâneo; refletir sobre os processos de subjetivação na atualidade e de como é possível intervir nesses processos.


Conteúdo programático:

1.      O que é subjetividade
Como entender a sociedade através dos estudos da subjetividade
O papel da sociedade na formação das subjetividades
A subjetividade e a formação das identidades
Processo social, crise, mudança e produção de subjetividade

2.     A civilização e a formação dos modernos processos de subjetivação
Freud e o mal-estar na civilização
As causas de nossas infelicidades
Os complexos
A cultura e a subjetividade na modernidade

3.      O mal-estar na atualidade e seus sintomas
O uso das drogas
A violência e as variadas formas de insegurança
O individualismo, consumismo e presenteísmo
A crise das identidades

4.      Enfrentando os dispositivos de construção das subjetividades
O cuidado de si ou como escapar dos dispositivos
A vida como obra de arte
As identidades em devir
Do Édipo ao Anti-Édipo

Metodologia: discussão de textos e livros, apresentação e discussão de filmes, contos,  documentários, entrevistas e palestras em vídeo, realização de pequenos seminários, aulas expositivas e dialogadas.

Formas de avaliação: participação em sala de aula, produção de roteiros de leitura e trabalhos em dupla sobre algum mal-estar da atualidade. 


Bibliografia básica (leitura obrigatória):

BIRMAN, Joel.  Lei, culpa e confissão e Desconstrução da filosofia do sujeito. In: Entre cuidado e saber de si: sobre Foucault e a psicanálise. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000, p. 65 a 70 e 79 a 90.
DELEUZE, Gilles. Entrevista sobre O anti-édipo. In: Conversações. São Paulo: Editora 34, 1992, p. 23 a 36.
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Psicanálise e familiarismo: a sagrada família. In: O anti-édipo. Capitalismo e esquizofrenia 1. Lisboa: Assírio & Alvim, 2004, p. 53 a 78.
FOUCAULT, Michel. A cultura de si. In: História da sexualidade – o cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal, 1985, p. 43 a 74.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na cultura. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010 ou FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. In: Obras completas volume XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
______. A dissolução do Complexo de Édipo. In: Obras completas volume 16: O eu e o id, “autobiografia” e outros textos (1923-1925); tradução Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 203 a 213.
MIRANDA, Luciana Lobo. Subjetividade: a (dês) construção de um conceito. In: SOUZA, Solange Jobim e (org.). Subjetividade em questão: a infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2005, p. 29 a 46.
SAROLDI, Nina. O mal-estar melhorou? A pertinência do livro hoje. In: O mal-estar na civilização. As obrigações do desejo na era da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011, p. 127 a 158.


Bibliografia complementar
BARBERO, Graciela Haydée. Homossexualidade e pervesão na psicanálise: uma resposta aos gay e lesbian studies. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
BIRMAN, Joel.  As pulsões e seus destinos: do corporal ao psíquico. Civilização Brasileira, 2009.
______. Mal-estar na atualidade. A psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2007, p. 231 a 250.
______. Cadernos sobre o mal. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p 191 a 208.
BRENNAN, Teresa. Para além do falo: uma crítica a Lacan do ponto de vista da mulher. Rio de Janeiro: Record/Rosa dos Ventos, 1997.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2003.
COSTA, Teresinha. Édipo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2010.
CUNHA, Eduardo Leal. Indivíduo singular plural – a identidade em questão. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: Obras completas, volume VII, Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 119 a 229.
______. O futuro de uma ilusão. Porto Alegre: L&PM, 2010.
FRIDMAN, Luis Carlos. Vertigens pós-modernas. Configurações institucionais contemporâneas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000, p. 63 a 89.
FUKS, Betty B. Freud & a culturaRio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007.
GOLDMAN, Márcio. Objetivação e subjetivação no último Foucault. In: ____. Alguma antropologia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999.
LACAN, Jacques. Nomes-do-pai. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
MOTA, Manoel Barros (org.) Foucault: Ética, sexualidade e política. Ditos e Escritos V. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
NETO, Oswaldo França. Freud e a sublimação. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
ORTEGA, Francisco. Amizade e estética da existência em Foucault. Rio de Janeiro: Graal, 1999
PEIXOTO Jr. Carlos Augusto. Singularidade e subjetivação. Ensaios sobre clínica e cultura. Rio de Janeiro, Editora 7 Letras/PUC Rio, 2008.
QUIROGA, Ana Panpliega. Crisis, processos sociales, sujeito e grupo: desarrollos en Psicologia Social a partir do pensamento de Enrique Pichon-Rivière. Buenos Aires: Ediciones Cinco, 1998.
REVEL, Judith. Diccionario Foucault. Buenos Aires: Nueva Visión, 2009.
SAFATLE, Vladimir. Lacan. São Paulo: Publifolha, 2007.
ROLNIK, Suely. Toxicômanos de identidade - subjetividade em tempos de globalização. In: LINS, Daniel. Cultura e subjetividade. Campinas: ed. Papirus, 1997.
STRATHERN, Paul. Foucault em 90 minutos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003.
WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: DA SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 7 a 72.